Entrevista 259 com a Banda Portuguesa Anfiernyen


A Tempestade Conservadora Chega a sua Entrevista 259 com a Banda Portuguesa De Metal Extremo intitulada como Anifernyen.Após uma separação de sete anos,eles lançam seu primeiro álbum intitulado como Augur.O Vocalista Daniel Lucas responde as nossas perguntas ,vamos pra elas agora.

Tempestade Conservadora 1:Apresentem a banda pra gente?
Daniel Lucas-Anifernyen:Formados em 2003, encontrámos o nosso nome em antigos textos bretões que se referiam ao inferno como “An Ifern Yen”, que traduzido para a linguagem atual significa “O Inferno Gelado”.
Em 2008 lançamos o primeiro trabalho, um EP de 5 temas, intitulado “The Pledge of Chaos”.
Após um hiato de 7 anos, regressamos em 2017 com nova formação e gravamos o álbum em 2018.
Neste momento os integrantes de Anifernyen são Luís Ferreira e Diogo Malheiro nas guitarras, que são os membros que se mantêm da formação original,eu que me chamo Daniel Lucas na voz, Hugo Almeida na bateria e Ricardo Vieira no baixo.
Tempestade Conservadora 2:Falem sobre o trabalho de composição em Augur?
Daniel:A composição de Augur foi algo atribulada. A banda foi sofrendo algumas alterações de line-up assim como relocalização de espaço de ensaios. Assim que conseguimos ter alguma estabilidade foi a altura ideal para nos dedicarmos à criação do álbum. Algumas das músicas já existiam há algum tempo e outras novas foram acrescentadas e assim que sentimos que estávamos confortáveis para gravar, decidimos focar as nossas energias nessa tarefa. Augur é o culminar destes anos de luta e não podíamos estar mais satisfeitos com o resultado.
Tempestade Conservadora 3:A Banda escolheu algum single pra este álbum e o porque desta escolha?
Daniel:Quando a ideia para um single estava a ser debatida, a escolha óbvia recaiu no tema “Tyrant”, que acabou também por se tornar a escolha para o nosso primeiro lyric video. É o tema com que abrimos as nossas performances ao vivo, porque achamos que tem algo que consegue prender o ouvinte ou o espectador logo nas primeiras notas, e no seu todo é um a música que navega por todas as diferentes dinâmicas que fazem parte de Anifernyen.
Tempestade Conservadora 4: A Banda se intitula como Death/Black Metal mas faz composições tristes.É possível dizer que quando abraça o Black Metal é o Black Metal Depressivo clássico?
Daniel:Compreendo o que queres dizer, mas não usaria triste” como adjectivo. Existem algumas tonalidades musicais em Anifernyen que podem tocar no Doom Metal, mas é apenas mais uma das vertentes musicais que apreciamos e não temos medo em abraçar, desde que faça sentido no todo que é a musicalidade de Anifernyen. Muitas vezes um só rótulo é muito redutor para designar o estilo de uma banda e por outras vezes uma multiplicidade de rótulos também leva a confusões. Sabemos que não estamos a inventar a roda e usamos os rótulos de Black/Death Metal para uma aproximação mais direta a quem acabar por encontrar Anifernyen.

Tempestade Conservadora 5:Qual o tema lírico do álbum?
Daniel:O tema transversal ao álbum acaba por ser o Apocalipse. Mas não é de todo um álbum conceptual. Apenas resultou desta forma. Algumas das letras surgiram antes das músicas e noutras faixas ocorreu o contrário. E no fim acabou por fazer sentido. A faixa mais antiga do álbum é provavelmente a “Foreshadowing” com uma letra sobre visões de catástrofes e desastres de um possível futuro. As outras canções acabaram por seguir um rumo lírico, onde as imagens e ideias transmitidas, eram semelhantes. E isso levou-nos ao próprio título do álbum: Augur. Um augúrio do fim dos tempos.
Tempestade Conservadora 6:A Banda terá shows ou turnês a fazer em 2019?
Daniel:De momento temos uma data marcada para 14 de setembro onde fazemos parte dum esplêndido cartaz com bandas como Humanart (também de Portugal), Lucifer’s Child (Grécia), e Akoúphenom (Espanha) no Hard Club, na cidade do Porto. No entanto, este será apenas o primeiro. Ainda estamos em fase de contatos para algumas datas no nosso país. Estamos também a trabalhar com a Ethereal Sound Works Booking. E claro, estamos sempre receptivos a possíveis propostas. Queremos que Anifernyen chegue a todos e que “Augur” se espalhe por toda a parte.
Tempestade Conservadora 7:Como são feitas as mudanças de tons sem tirar o clima sombrio do álbum?
Daniel:Acabam por surgir de forma natural. Se soa bem e faz sentido no restante contexto, não temos medo em arriscar. Nós gostamos de dinâmicas e gostamos de que isso seja patente na nossa música. A atmosfera de Anifernyen não tem apenas um tom, apenas um ritmo. Existem momentos de fúria, momentos de desolação, diferentes estados de espírito e se de alguma forma os acharmos adequados, acabaram por se encaixar no nosso som.
Tempestade Conservadora 8:Que bandas influenciaram o começo da banda?
Daniel:Nos primórdios da banda havia muita influência de bandas de black metal sinfônico, mas ao longo dos anos e com a reestruturação da banda as influências foram sendo alteradas para uma vertente mais black metal e Death metal, muito também derivado a diferentes necessidades na composição musical. Existe um enorme número de bandas que podemos destacar como influências, mas não significa que estejam ligadas diretamente ao som de Anifernyen. Desde diferentes bandas de Black Metal como Satyricon, Marduk, Immortal, como diferentes bandas de Death Metal, tais como Six Feet Under, Carcass, Deicide, assim como algumas de Doom Metal, como Shape of Despair, My Dying Bride, Paradise Lost, são projetos que nos acompanham desde há muito tempo, e possivelmente podem ter alguma influência, mas nunca diretamente na composição da nossa música. Mas parvos seríamos se com tanta música que ouvimos, não aprendêssemos alguma coisa.
Tempestade Conservadora 9:A Dupla tonalidade dos vocais acontecem na mesma música?
Daniel:Acontece sempre que faz sentido. A expressão vocal parte muito daquilo que está a ser dito. Depende da emoção que se pretende enfatizar nas palavras. Por vezes, numa só música podem ocorrer mais do que duas tonalidades vocais. Como exemplo, a faixa “Emissary”.
Tempestade Conservadora 10:O Que a banda espera da recepção do álbum?
Daniel:As expectativas são que corra tudo pelo melhor. Foram anos dedicados à banda e muito tempo investido na criação do álbum. As coisas podem não acontecer de forma mais rápida mas isso é devido a que nenhum de nós, na banda, vive só da música e temos outras responsabilidades com que nos preocupar. No entanto, acreditamos que o resultado final de todos os nossos esforços é o mais positivo. E esperamos que seja apreciado por todos aqueles que o escutarem.
Tempestade Conservadora 11:Como é a Cena Metal de Portugal?
Daniel:Portugal é um país pequeno, mas grande em música. Temos muitas propostas interessantes dentro de variadíssimos gêneros. No entanto, de Norte a Sul do país existem poucos sítios onde se possam dar concertos. Isto é, existir até existe, mas com as condições ideais para uma boa performance, são poucos e têm diferentes graus de exigência, alguns que não podem ser colmatados por uma banda que não faz da música o seu meio de subsistência. Acaba por se encontrar espaço para tudo e todos. Temos tido uma crescente vaga de festivais pelo país fora que acabam por resultar de forma bem positiva para fazer chegar o som de diferentes bandas a diferentes públicos.

Tempestade Conservadora 12:A Banda conhece e gosta do Metal Brasileiro?
Daniel:Claro.Provavelmente os suspeitos do costume. Desde os mais clássicos como Sepultura, Sarcofago, Ratos de Porão, The Mist, assim como Krisiun, Angra, Avec Tristesse, Torture Squad.. Recentemente descobrimos Nervosa e Jupiterian.
Tempestade Conservadora 13:Como a banda chegou na Ethereal Sound Works?
Daniel:Assim que tivemos a produção do álbum concluída começamos a procurar por editora. Tivemos diversas propostas de contrato de editoras nacionais e internacionais, contudo a Ethereal Sound Works chegou-nos com uma boa proposta e decidimos avançar com eles, pois acreditamos que compreendem o potencial musical de Anifernyen.
Tempestade Conservadora 14:A Banda acredita que este álbum é conceitual?Sim ou Não e Porque?
Daniel:Como já respondemos anteriormente, não é um álbum que foi propositadamente criado para ser conceptual, mas acaba por ter uma transversalidade temática que se engloba num todo. Mesmo na ordem das faixas. O álbum tem ao todo onze faixas. Começa na intro “Augur” e oficialmente encerra na faixa “Neverlight”. No entanto decidimos incluir mais uma faixa bónus, “Deadite”, porque é uma faixa que gostamos bastante, mas que para nós é diferente de todas as restantes, quer musicalmente, quer liricamente. Mas como tínhamos vontade de a incluir neste registo, decidimos que ficaria destacada das restantes no fim do álbum, sem pertencer ao ciclo das outras dez faixas.
Tempestade Conservadora 15:Qual a ideia da capa do álbum?
Daniel:A arte da capa, assim como toda a arte no livrete, foi criada pelos extraordinários Credo Quia Absurdum, que merecem uma salva pelo seu excelente trabalho que excedeu as nossas expectativas. Sabíamos que quando os tínhamos contactado para o trabalho que receberíamos um resultado final soberbo, mas o que acabaram por nos entregar foi além do esperado. Demos-lhes algumas guias sobre os temas e a estética do álbum e eles cumpriram. A arte da capa é apenas a ponta do iceberg. A figura ao centro representa o arauto do fim dos tempos, que vem para nos levar a todos, e se folhearem pelo livrete do CD encontrarão ainda mais arte fantástica.
Tempestade Conservadora 16:Porque a banda teve este hiato de sete anos?
Daniel:Houve diferentes razões. Desde assuntos mais directamente relacionados com a banda, como mudanças de integrantes e relocalização de lugar de ensaio, como razões mais pessoais, pertinentes a cada membro da banda, quer por questões laborais ou até mesmo familiares.Todos estes factores, que foram acontecendo, a tempos, durante esse período de tempo fez com que a banda se tivesse de reajustar e encontrar formas de superar os problemas, de forma a prevalecer. E como não vale a pena andar com pressas, levamos o tempo que achamos necessário até nos sentirmos confortáveis e novamente estabilizados, para avançar com a árdua tarefa que acabou por se tornar neste álbum.
Tempestade Conservadora 17:Mesmo com este hiato,a banda sente diferenças na parte lírica e no som entre The Pledge Of Chaos e agora em Augur?
Daniel:Sem dúvida. Logo assim à partida só o facto de termos mudado de vocalista veio a alterar algumas das dinâmicas da banda. No que diz respeito à composição musical também houve crescimento e evolução. Mas notoriamente o registo vocal do Ricky é completamente diferente do registo vocal do Daniel e basta este factor para se sentirem diferenças. Não deixamos de ser Anifernyen, mas agora sentimo-nos uns Anifernyen mais crescidos com o passar dos anos. E para notar essas diferenças basta escutar o EP e o álbum. Porventura haverá quem goste mais do EP do que álbum, mas é uma situação para a qual estamos preparados, porque só não acontece às bandas que estagnam.
Tempestade Conservadora 18:Mandem uma mensagem aos fãs,a entrevista acabou
Daniel:Um enorme shout out para todos os que estiverem a ler esta entrevista. Estamos eternamente agradecidos pela oportunidade e pelo interesse. Escutem “Augur”, e que seja do vosso agrado. Passem pela página de Anifernyen. The end is nigh!

Publicado por Lipetempestade

Uma pessoa de personalidade forte mas disciplinadora e exigente

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